domingo, 14 de outubro de 2012

BRONQUITE

Causas: Correntes de ar, aves em local de ar não renovado, bruscas mudanças de temperaturas.

Sintomas: A ave perde o apetite, narinas obstruidas, bico aberto, rouquidão e catarro, a ave não canta e fica agitada.

Tratamento: Colocar a ave separada numa temperatura de 30C e administrar antibióticos e vitaminas A e D e aviobitina na água de beber.


ARRANQUE DAS PENAS


Infelizmente, ainda na atualidade, trata-se de um mistério dentro da medicina veterinária. Mas quando este problema nos bate à porta, das duas uma: ou nos habituamos ao fato da nossa Calopsita viver sem penas ou então procuramos ajuda veterinária, o que nem sempre é fácil.
Vamos aprender as principais causas deste problema e alguns métodos de tratamento. O ato de arrancar as penas é um fenômeno pouco entendido até mesmo pelos profissionais de medicina de aves...
Existem muitos casos que são verdadeiramente impossíveis de se diagnosticar corretamente, fazendo-se apenas um tratamento sintomático! Mas afinal, que história é esta da minha Calopsita arrancar suas próprias penas?

Definição

Trata-se de um comportamento anormal e aberrante que certas aves (normalmente psitacídeos – Calopsitas, papagaios, lóris, araras, etc.) exibem e que consiste na preensão, mastigação ou mutilação das suas próprias penas ou das do seu companheiro mais próximo.
As primeiras são facilmente identificáveis, pois sobram as penas da própria cabeça (o bico não chega lá!).
Não devemos confundir esta patologia com a preensão normal das penas velhas durante a muda. Portanto não se assuste se vir uma pena no bico da sua Calopsita!

Sintomas:

Estas Calopsitas que possuem este horrível vício têm uma aparência horrível, começam por morder as penas das patas ou as do peito, outras adoram as penas das asas ou mesmo as da cauda. Em qualquer uma delas o aspecto é sempre de uma ave desmazelada com as penas desalinhadas, e com vários graus de perda de penas pelo corpo.

Possíveis causas:

Representam 35 a 40 por cento dos casos. Muitas vezes, os donos não permitem fazer todas as análises possíveis para determinar a verdadeira causa, portanto é provável que esta percentagem seja bem maior.
O problema mais vulgar é a má-nutrição. Se você tem um cão ou um gato compreende isto muito bem: não é verdade que o seu animal, se pudesse, comeria só carne e bolos? Com as Calopsitas acontece o mesmo. Eles se viciam em determinada semente ou fruto e depois é difícil convencer a ave de comer toda determinada variedade de alimentos que as rações comerciais têm disponíveis.
Se a sua Calopsita for fã de sementes oleosas (girassol, por ex.) é fácil ficar obesa e isso é uma das principais causas de arranque de penas. Isto porque (segundo esta teoria), a acumulação de depósitos de gordura subcutânea pode irritar a pele.
Estes animais voltam a ter a plumagem bonita quando o seu peso volta ao normal após uma dieta específica.
As aves mais propensas são as Calopsitas e os papagaios. Caso a dieta contiver níveis inadequados de certos componentes alimentares essenciais à muda, tais como arginina, riboflavina, niacina ou selênio, poderá causar stress na plumagem.
As raízes das penas vão-se ressentir e ao fim de algumas semanas a sua antes tão linda Calopsita estará se auto-depenando. Outro caso interessante é daquelas Calopsitas completamente doidas e psicóticas que adoram o sabor das penas. Chegam mesmo a emitir um som de alegria quando saboreiam o gosto da pena recém arrancada.
Este comportamento pode ser interpretado como picacismo, uma condição que resulta da falta de minerais essenciais (zinco por ex.).
Mas tome cuidado! Não lhes dê tanta vitamina, pois se a ração comercial que você utiliza estiver dentro do padrão alimentar recomendado pelo fabricante você não necessitará suplementar. Isto poderá conduzir a uma doença hepática ou pancreática com conseqüências graves, uma das quais é arrancar as penas.
Normalmente após a dieta voltar ao normal, a saúde da ave também voltará. Existem também doenças infecciosas que poderão induzir ao arranque das penas. Entre elas destacamos: A aspergilose (fungo que se deposita nas vias respiratórias), Candidíase (levedura) e infecções bacterianas.As Calopsitas são propensas à giardíase (protozoário intestinal que dá muito comichão) que se pode manifestar pelo arranque de penas sobre as asas, costas ou no ventre. Doenças do fígado poderão causar comichão na pele das pessoas e aparentemente o mesmo acontece nas aves. Isto poderá acontecer quando há extravaso de ácidos biliares do fígado para o sangue, que quando em circulação nos vasos subcutâneos dá origem a prurido.
O diagnóstico é fácil, basta pesquisar os tais ácidos biliares em uma amostra de sangue. Qualquer outra doença que cause inflamação do organismo, seja em qualquer região do corpo, poderá sugerir à Calopsita para arrancar as penas. Por outro lado este vício conduz a infecções secundárias que poderão também produzir toxinas e mais comichão ainda, agravando o ciclo vicioso. Parasitas tais como ácaros ou piolhos são extremamente raros, mas jamais deverão ser descartados pelo veterinário. Para um diagnóstico mais seguro, podem-se fazer esfregaços das raízes das penas, análises do sangue, radiografias, endoscopia ou biópsias da pele.
Outra causa deste mal que assola muitos criadores são as alergias. Sim, a sua Calopsita pode sofrer de alergia inalatória (pólen, bolores) e mesmo ser alérgica ao fumo do tabaco (existiu um caso no E.U.A, de um papagaio amazonas que tinha alergia nas patas porque o dono segurava-o com as mãos “sujas” de cigarros).
Além disso, as Calopsitas podem se contaminar com alergia umas das outras ou de outros animais. Alergias alimentares é um campo praticamente desconhecido, mas sabe-se que algumas aves são alérgicas aos corantes de certas rações. As aves alérgicas respondem bem a banhos de água com babosa.
Intoxicações são outras possíveis causas, normalmente quando as Calopsitas roem tinta descascada de parede ou outras superfícies.
Os metais pesados são muitas vezes responsáveis (chumbo, cobre e até mesmo zinco). Outra forma de intoxicação é a inalação ou ingestão de produtos de limpeza que estejam em seu alcance.

Causas emocionais:

Apesar de extremamente subjetivo, vamos apresentar algumas situações que poderão conduzir ao stress e arranque das penas. Muitas pessoas tendem a acariciar demais uma Calopsita recém adquirida pelo menos durante os primeiros 12 meses.
Depois de passada a novidade, alguns deixam de prestar tanta atenção, até porque certas pessoas enchem-se de expectativas acerca dos seus animais de estimação e quando eles não correspondem a essas expectativas, o pássaro pode acabar ficando em segundo plano.
Em outras situações a entrada de uma outra ave, ou animal de estimação ou até mesmo quando o dono decide casar e ter filhos, a atenção passa a ficar dividida, a ave enche-se de ciúmes e frustração e passa a arrancar as penas para chamar a atenção.
É engraçado que uma Calopsita que conviva sozinha com uma família acabe escolhendo apenas um membro favorito como seu parceiro.
Muitas vezes o arrancar das penas traduz uma frustração sexual. A separação da ave do seu companheiro humano pode ser uma experiência traumatizante.
Se outros humanos estiverem assistindo às sessões de brincadeiras com o dono predileto, eles poderão ser encarados como intrusos no seu relacionamento, podendo ser rechaçados a bicadas e expressões de desafio.
Algumas Calopsitas deliciam-se em arrancar as penas somente para ver o dono correr preocupadamente para elas. Especificamente neste caso, você não deverá estimular este tipo de comportamento, e não lhe deve dar importância, simplesmente ignore. Verá que esta reação terá benefícios em longo prazo.
A título de prevenção, não dê atenção exagerada para sua Calopsita se não puder manter esse cuidado constantemente. Brinque com ela entre 1 a 2 horas por dia, mas o resto do tempo permita-lhe ter a sua própria independência.
Deixar a televisão ou o rádio ligado perto das Calopsitas é um fator positivo que estimula tanto a visão como a audição das aves prevenindo o aborrecimento.
Sobretudo não subestime a inteligência destes animais. Um ser vivo tão esperto e ativo como as Calopsitas, é de se esperar que desenvolva problemas comportamentais tais como arrancar as penas ou guinchar caso se aborreça dentro de uma gaiola por falta de atenção ou estímulos para a brincadeira.

Falta de água e luz solar:

Existe um mito popular afirmando que se uma Calopsita se molhar ou apanhar uma corrente de ar poderá morrer. Isto é falso! As Calopsitas necessitam tanto de banhos regulares, como de luz solar (ou pelo menos luz artificial que imite a luz natural).

Principais causas do arranque de penas:

Má nutrição
Obesidade
Excesso de vitaminas
Doença do fígado ou pâncreas
Aspergilose
Candidíase
Giardíase
Infecções de pele por estafilococos
Intoxicações por zinco, chumbo ou cobre
Irritação por causa de detergentes de limpeza
Alergias alimentares
Alergias a outros animais
Alergia a tabaco ou outros fumos

Dê banhos de torneira em sua Calopsita pelo menos uma vez por semana, especialmente no Verão, pois além de quente o nosso clima é muito seco nessa época do ano. As Calopsitas são as aves que necessitam muito de banho, uma vez que a sua pele produz uma espécie de caspa que deverá ser removida regularmente para que não provoque comichões.
A radiação ultravioleta é importante para a conversão da vitamina D essencial para haver uma boa absorção de cálcio no intestino. A luz solar tem outros papéis preponderantes no metabolismo delas, mas que somente agora a ciência começa a descobrir. Portanto se não puder fornecer luz solar direta (sem ser por meio do vidro da janela), adquira uma boa lâmpada fluorescente específica para o efeito. Alterações ambientais desencadeadoras de stress.
Se bem treinada a Calopsita irá obedecer á vários comandos (Do tipo: “dá a pata” ou “para cima” ou “para baixo” etc.) isso dará segurança emocional ao animal. Se a sua ave viver anos a fio no mesmo sítio, exposta às mesmas condições e de repente haver alterações radicais no seu meio onde vive, é quase certo que vai haver arranque de penas.
Obras em casa, viver numa cozinha cheia de fumos e condimentos fortes, crianças abusivas que não respeitam a ave ou ainda morar numa casa em que o casal não se entende e a ave é que “paga o pato”.
Tudo isto e o que o caro leitor possa imaginar, é mais que suficiente para transformar uma linda ave de estimação em uma ave careca.
Mude a gaiola de lugar regularmente. Troque os brinquedos com freqüência. Leve-a para passear fora sempre que a temperatura ambiental permitir.

Tratamento para as aves que arrancam as penas:

Primeiramente, quando não há um diagnóstico correto, não há tratamento eficaz. Os exames poderão ser parciais ou verdadeiramente impossíveis de serem efetuados em certas clínicas. Mas se realmente esses testes derem positivo, não somente tratarão com eficácia o problema das penas como provavelmente salvarão a vida de sua Calopsita.
Somente quando todas as análises efetuadas derem negativas é que se poderá pensar em problemas psicológicos. A causa mais comum é realmente a dieta, portanto a sua resolução não é dispendiosa.
Não esqueça de fornecer uma boa ração orgânica completa e específica para Calopsitas (e acima de tudo, que nem só de sementes vive a ave!).
Antiinflamatórios naturais tais como a babosa são muito úteis, quer no banho ou por meio de aspersão (1ml em um litro de água). Não se esqueça dos banhos regulares. Não é normal uma Calopsita detestar água. Habitue ela desde cedo.
É claro que estes problemas possuem um tratamento específico (antibióticos, antifúngicos – por vezes a terapia poderá durar aproximadamente 6 meses! E a giardíase responde bem ao metronidazol).
Caso você suspeite que o problema de sua Calopsita seja alérgico, o melhor é remover a ave para outra casa durante 3 meses. Se houver melhoras você terá que descobrir o alérgeno responsável (caso seja o fumo, este poderá levar a conseqüências drásticas).
No entanto, se você suspeita de problemas comportamentais, deverá consultar o seu veterinário em busca de aconselhamento. Sobretudo nada de mimar a sua Calopsita exageradamente, para meses mais tarde não lhe dar mais importância alguma.
Apenas dê atenção á ela o suficiente que você saiba que poderá manter. Castigue o mau comportamento (basta colocar a ave num quarto às escuras durante alguns minutos, fora da atenção do dono). Recompense o bom comportamento com atenção e guloseimas (frutas frescas).
Em última instância pode-se recorrer aos medicamentos psicotrópicos para acalmar o comportamento negativo da ave (prozac por ex). Algumas Calopsitas reagem muito bem, outras reagem mal e outras nem sequer lhes faz nada. Portanto caro leitor, estamos perante um problema complexo. Afinal não é só o piolho que faz cair à pena! Pouco se investiga nesta área (claro que muito menos em nosso país!). Colabore diretamente com o seu veterinário em busca da melhor solução.

ÁCAROS DE TRAQUÉIA


.Bernardino 
Consultor Técnico COBRAP - www.cobrap.org.br 
Membro do Grupo - Sítio dos Carduelis - carduelis@grupos.com.br 
Colaboração : Dr. Daniel Mendoza - Med. Veterinário - Argentina 

Os Acáros de Traquéia(S.Tracheacolum) são pequenos parasitas, especialmente das vias respiratórias superiores, que podem ser vistos até mesmo à olho nu ou com auxílio de uma lupa. Irritam a mucosa das àreas que atacam tais como: traquéia, pulmões, sacos aéreos, chegando mesmo à atingir os ossos pneumáticos...
Eles ao atacarem essas àreas nas quais se instalam, produzem lesões pois, alimentam-se de sangue(HEMATÓFAGOS), causando patologias por si só e abrindo caminho para infecções por bactérias, vírus, fungos e mycoplasmas oportunistas. Quando da incidência desse problema deve-se melhorar o sistema de ventilação pois, com uma melhor ventilação, melhoramos a aeração e circulação de ar eliminando partículas em suspensão no ar do criadouro. Os ácaros em um criadouro podem ser trazidos por aves novas introduzidas¹ e que não tenham sido submetidas à quarentena em ambiente separado do criadouro ou por correntes de ar mal distribuídas ou podem existir naturalmente no ambiente, onde alimentam-se de detritos e de maneira oportunista, podem infectar as aves. Um excesso de população também pode levar à problemas de má qualidade do ar pois, aumenta a quantidade de partículas em suspensão no ar do criadouro. Uma forma de tratamento é o uso da Ivermectina(Ivomec® ) e outro método é o uso de inseticida aerosol à base de piretrinas, tipo SPB® . O inseticida deve ser desse tipo pois, é menos tóxico. O método é simples, coloca-se a(s) ave(s) em uma gaiola, cobre-se a gaiola e aplica-se um ou dois jatos do inseticida dentro da gaiola para que a(s) ave(s) inalem o produto durante uns cinco minutos. Esse método mostra-se eficiente, especialmente como tratamento de emergência em aves já parasitadas por ácaros. 

Os principais sintomas são : 

Dificuldade respiratória. 

Tosse e a ave emite sons como gemidos, dando a impressão que está engasgada. 

A ave perde a voz. 

A ave abre muito o bico e limpa-o constantemente no puleiro. 

Em casos de infestação extrema pode ocorrer a morte da ave por asfixia mecânica. 

As formas de se evitar esse tipo de "inimigo" da saúde nossas aves são: 

Um bom manejo higiênico do criadouro. 

Quarentena de novas aves. 

Aplicação de produto preventivo como por exemplo, a Ivermectina, que combate não só o ácaro de traquéia mas, também outros endo e ectoparasitas. 

Boa ventilação e renovação do ar mas, sem correntes de ar passando diretamente pelas gaiolas pois, essas correntes podem carrear àcaros e outros agentes infectantes. 

Isolamento de aves infestadas do ambiente do criadouro aliás, para qualquer patologia deve-se retirar o indivíduo do criadouro. 

Eliminação das aves mortas, de preferência incinerando-as. 

É posível que a água de bebida seja uma fonte de infestação portanto, temos que ter cuidado com a higiene dos bebedouros. 

Minha experiência com Acáros de Traquéia: 

Vou descrever a experiência mais recente acontecida no Criadouro de Canários de um amigo. Algumas aves começaram à tossir e agirem como se estivessem engasgadas. Passados alguns dias 06 aves morreram. Ele ligou relatando-me o fato e como não podia, naquele momento, ir até o seu criadouro, o aconselhei á levar 02 aves que apresentavam os mesmos sintomas à um veterinário, nosso conhecido, que tem especialidade em aves. O diagnóstico² foi, acáros de traquéia. O tratamento recomendado foi o uso do SBP®, como descrito acima. Agora estamos fazendo também uma nova aplicação da Ivermectina³, fazendo a aplicação, repousando 15 dias e repetindo a aplicação. Os grandes vilões nesse caso foram encontrados: 

1 - Excesso de aves no criatório. 

2 - Má ventilação. 

Esse problemas são facilmente resolvidos com a diminuição da população de aves no criadouro (ou aumnto do criadouro em si para comportar a população requerida) e com uma melhoria da circulação do ar. 

Conclusão 

Devemos ter cuidado com o manejo e sanidade de nossos plantéis e criadouros pois, descuidos e falta de atenção para detalhes como: a correta ventilação, higiene, quarentena ,etc; podem ser o diferencial entre o fracasso e o sucesso na criação. Devemos sempre procurar orientação profissional pois, teremos maior precisão no diagnóstico e no tratamento, conseguindo assim, melhores resultados e eliminando os agentes causadores das anormalidades e patologias. 

Notas : 

1 - Além dos passeriformes também afetam outras espécies como pinzones, agapornis e outros psitacídeos. Não é recomendável ter várias espécies em um mesmo ambiente se pretendemos realizar uma quarentena rigorosa. 

2 - Seria interessante também realizar um diagnóstico diferencial para o Syngamus trachea(verme vermelho de traquéia), para ter-se precisão no tratamento. Se bem que o tipo de tratamento é o mesmo para ambos os parasitas, apesar da menor gravidade com relação ao S.trachea por tratar-se de um nematóide. 

3 - Com relação à dosagem específica da Ivermectina, existem estudos que dizem que não devemos ultrapassar 0.1ml/kg. Existem relatos de que o uso em dosagens incorretas pode causar cegueira em bois, cães, e tem sido observada em aves pequenas. Mas, o que temos observado na prática em anos de criação de canários é que não houve um único caso desses em vários plantéis.

AEROSACULITE - UMA DOENÇA QUE INFLAMA OS SACOS AÉREOS

Uma doença perigosa. Assim é a “aerosaculite” – uma moléstia que acomete as aves e deve ser  evitada e tratada com toda atenção pelo criador. As  aves possuem pulmões relativamente pequenos, intimamente associados a bolsas membranosas de  paredes muito finas, os chamados sacos aéreos. São em número variável, basicamente doze, distribuídos por todos os espaços vazios do corpo, inclusive dos ossos.
Participam do mecanismo respiratório e de outros processos (canto, exibições do macho, etc.), sendo que nas aves, a respiração se processa mediante um contínuo movimento de ar, sem uma pausa, como nos mamíferos. Assim, devido à eficiência  do aparelho como um todo, tudo que é inalado atinge rapidamente o sistema interno. Se a calopsita estiver debilitada, agentes infecciosos que penetrarem neste sistema, pode provocar doenças. À inflamação dos sacos aéreos dá-se o nome de “aerosaculite”. 
As causas podem ser diversas, entre elas a inalação de gases irritantes (desprendidos de produtos químicos, desinfetantes, etc.), ácaros e agentes infecciosos como vírus, bactérias (Salmonella, Mycoplasma) e fungos (Aspergillus, Candida). Os sinais, nos casos agudos, são abatimento, perda do apetite, corrimento nasal e respiração difícil e ruidosa, com balanço de causa acompanhando-a. 
Nos casos crônicos, a doença pode estar associada à apergilose (infecção causada por fungos) e ter longa duração, causando à ave emagrecimento e enfraquecimento geral. Para o tratamento é preciso conhecer-se a causa e administrar os medicamentos corretos. Contra os agentes infecciosos citados, a medicina veterinária recomenda  o uso de antibiótico de largo espectro, a base de Tilosina ou de Cloranfenicol. 
A administração, de acordo com veterinários, deve ser feita durante 5 dias, seguida de 7 dias de repouso com o emprego de um polivitamínico e, novamente por mais 5 dias seguidos. As doses e o número de administrações deve ser observado rigorosamente, bem como é fundamental ao criador ter a certeza de que a ave doente está ingerindo devidamente o medicamento, caso este não seja dado diretamente no bico

.ARTRITE


É um inchaço nas articulações, particularmente nas asas e patas, estando a ave constantemente no fundo da gaiola.

Causas: hereditariedade, aviário úmido ou deficiência na alimentação. 

Tratamento: lavar as áreas afetadas com um desinfetante próprio diluído em água e aplicar uma pomada adequada. 

Fornecer verduras. 

ASPERGILLUS SP.

O agente mais comum na aspergilose e encontrado com freqüência em psitacídeos é o Aspergillus fumigatus, também merecendo destaque o A. flavus e A. niger. Estes fungos podem permanecer como saprófitas no organismo das aves saudáveis e sob condições propícias determinar doenças respiratórias graves. A aspergilose é freqüente em aves de vida livre que são levadas para o cativeiro.
A infecção é ocasionada pela inalação de esporos e hifas ou ainda, ingestão de alimento e água contaminados. O grau de exposição ao agente, idade, e imunidade do hospedeiro são fatores importantes para o início e gravidade da doença. São fatores que contribuem para aumentar a susceptibilidade à infecção: doenças crônicas, lesões traumáticas, desnutrição, deficiência vitamínica (principalmente hipovitaminose A), freqüente inalação de fumaça de cigarro e o uso prolongado de antibióticos. Facilitam o crescimento do agente,ambientes com temperatura elevada, ventilação insuficiente e umidade elevada.
Duas formas da doença são reconhecidas, a aguda e a crônica. A forma aguda é freqüente em aves de vida livre, mas também ocorre em psitacídeos cativos e outras aves. É decorrente da inalação de grande quantidade de esporos em ambientes pouco higiênicos. A forma crônica é a mais comum em psitacídeos e ocorre geralmente após situações de estresse ou imunossupressão. O animal debilitado, mesmo inalando pequenas quantidades de esporos, não está com seu sistema imunológico competente para combater a infecção, iniciando a doença. O agente penetra na mucosa do trato respiratório superior e forma micélios a partir das hifas e esporos inalados, determinando intensa descamação e necrose epitelial, associada a um infiltrado inflamatório de heterófilos, linfócitos e macrófagos na lâmina própria. É comum o fungo atingir o trato respiratório inferior, principalmente pulmões e sacos aéreos, penetrando na parede dos brônquios e parênquima, onde se multiplica e se dissemina.
A grande exsudação tecidual juntamente com hifas radiantes pode bloquear a passagem de ar e preencher os sacos aéreos e formar granulomas, focos necróticos e placas esbranquiçadas. As extensas placas podem determinar pleurisia, hepatização pulmonar,microabscessos, espessamento dos sacos aéreos, necrose superficial das vísceras e formação de abscessos principalmente no fígado, pulmões, rins, intestinos e gônadas. Pode ocorrer disseminação hematógena para outros órgãos, como SNC (sistema nervoso central), ossos pneumáticos, glândula adrenal e coluna vertebral. As primeiras lesões são geralmente localizadas em locais com alta tensão de oxigênio e baixo suporte sangüíneo, preferencialmente sacos aéreos e grandes vias aéreas e siringe.
As lesões e sinais clínicos dependem do curso da infecção, órgãos afetados e número de esporos inalados. Na forma aguda há rápida e massiva colonização dos pulmões e estes se tornam totalmente infiltrados por pequenos granulomas difusos. A sintomatologia pode serinespecífica, incluindo perda de peso, dispnéia, prostração, anorexia e diarréia; se o SNC for afetado ocorre sintomatologia nervosa e advém a morte. A sintomatologia mais comum é uma dispnéia intensa com rápida piora e morte. Pode ocorrer retardo no crescimento das aves jovens e, se expostas a grande quantidade de esporos, podem morrer sem qualquer sintomatologia.
Na forma crônica, os sinais variam conforme a localização e extensão da lesão, sendo comum dispnéia, taquipnéia, intolerância a exercícios, inapetência, perda de peso, diarréia, poliúria, depressão e sinais nervosos. Os sinais clínicos podem ser imperceptíveis nos casos em que a doença tem progressão lenta.
Podem ocorrer lesões localizadas na traquéia, brônquios e seios nasais. Na traquéia e brônquios os micélios penetram na parede e juntamente com as células inflamatórias formam cáseos e nódulos granulomatosos. A siringe é um desses focos de infecção primária, podendo ocorrer oclusão parcial ou total do lúmen respiratório e conseqüente mudança ou perda da voz, dispnéia e morte.
Na necropsia os nódulos aspergílicos são visíveis e às vezes é possível ver extensas placas aveludadas esbranquiçadas sobre o pulmão, sacos aéreos e outros órgãos.
Histologicamente são observados múltiplos focos contendo hifas, circundados por hemorragia, infiltrado inflamatório heterofílico, mononuclear e células gigantes.
O diagnóstico definitivo é feito através da cultura, citologia, biópsia ou exame histopatológico. O exame radiográfico e endoscópico permite visualizar os nódulos aspergílicos nos casos crônicos. Deve-se fazer o diagnóstico diferencial da tuberculose, poxvirose e tricomoníase por causa da semelhança entre as lesões.
O tratamento pode ser tópico pela irrigação nasal, aplicação de antifúngicos diretamente nos sacos aéreos ou nebulização e parenteral, pela administração oral ou injetável de medicamentos. Em casos graves, a anfoterecina-B é recomendada por causa do seu efeito fungicida. Apresenta como desvantagem a estreita margem de segurança e necessidade de aplicação endovenosa. Pode ser associada a esta a fluorocitosina. O itraconazol, fluconazol e flucitosina são fungistáticos usados por via oral e precisam ser administrados durante semanas a meses para surtirem efeito. Destes, o itraconazol tem sido o fungistático mais utilizado no tratamento da aspergilose. No tratamento tópico pode-se utilizar a anfoterecina-B, miconazol, clotrimazol e enilconazol.

ÁCAROS E PIOLHOS NAS CALOS(Doença)


As calopsitas, assim como outras aves, podem ser parasitadas por ácaros e piolhos. Os ácaros das penas, como o próprio nome diz, vivem entre as bárbulas ou no interior do cálamo, perfurando-os e causando irritação à pele.
Causam grande desconforto, predispondo a ave a apresentar problemas de bicagem de penas, quando a infestação é intensa.
Já os ácaros vermelhos são os responsáveis pela ocorrência de problemas na estação reprodutiva. Apresentam cor acinzentada e, quando cheios de sangue, tornam-se avermelhados. Durante o dia, vivem escondidos nas frestras e buracos das paredes dos viveiros, nos encaixes dos poleiros e nas molas das portas dos gaiolões, locais onde depositam seus ovos. São os ninhos, entretanto, os lugares mais visados pelos parasitas. Quando o ataque é intenso, facilitado por condições adequadas à sua proliferação (falta de higiene no ninho), pode obrigar a fêmea a abandoná-lo. Os filhotes são extremamente atacados, podendo, inclusive, morrer por anemia.
As aves silvestres que costumam freqüentar o aviário podem introduzir os dois tipos de ácaros, devendo, portanto, ser afastadas. Ao final da estação reprodutiva deve-se remover os ninhos, lavá-los e pulverizá-los com produtos que eliminem os parasitas, como, por exemplo, inseticidas piretróides, que são de baixa toxidez. As paredes, poleiros e demais instalações também devem ser pulverizados, pois esses parasitas podem permanecer vivos durante quase um ano sem se alimentar. As aves atacadas também devem ser pulverizadas com cuidados, tomando-se a precaução de proteger a cabeça das mesmas.
Os piolhos que atacam as aves são do tipo mastigadores, isto é, alimentam-se de fragmentos de penas e pele que mastigam com seu aparelho bucal. Também causam grande irritação à pele. Os tratamentos preventivos e curativos são os mesmos descritos para os ácaros.
Existem, ainda, insetos (dípteros), conhecidos como alma-de-pombo, pequenas moscas hematófagas que normalmente não parasitam os psitacídeos. Entretanto, em criações onde predomina a falta de higiene, podem aparecer em grande quantidade, prejudicando as aves, principalmente os filhotes.
Paulline Carrilho, jornalista e colaboradora do Portal Aves e Notícias - As informações citadas na matéria foram retiradas do livro Criação de Calopsitas, de autoria de Carlos Eduardo Torloni, vendido pelo Centro de Produções Técnicas